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Ronco e Apneia

 

 

 

O Que É o Ronco?

O ronco é um som produzido durante o sono, resultante da vibração das estruturas da garganta quando o ar passa por elas. Embora seja um fenômeno comum, o ronco pode ser um sinal de problemas de saúde subjacentes. Muitas pessoas que roncam não estão cientes de que isso pode afetar a qualidade do sono de quem está ao seu redor e, em alguns casos, até a própria saúde.

O Que é a Apnéia do Sono?

​E quais os perigos do ronco e apnéia não tratadas?

A Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) é uma condição clínica séria e multissistêmica que afeta significativamente a qualidade de vida e a saúde cardiovascular.

A Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono é um distúrbio caracterizado por episódios repetitivos de obstrução parcial ou total das vias aéreas superiores durante o sono.

Essas interrupções na respiração levam a quedas nos níveis de oxigênio no sangue e a microdespertares frequentes, que impedem o indivíduo de atingir os estágios mais profundos e restauradores do repouso.

 

 
 
Principais Causas e Fatores de Risco:

A obstrução ocorre quando os músculos da garganta relaxam excessivamente, ou quando há fatores anatômicos que estreitam a passagem do ar. As principais causas incluem:

 
 
1.  Excesso de peso:

 

O acúmulo de gordura na região cervical (pescoço) exerce pressão sobre as vias aéreas. A apneia do sono e a dificuldade de perder peso estão intimamente ligadas num ciclo vicioso metabólico e hormonal. Quando a respiração é interrompida repetidas vezes durante a noite, o corpo sofre quedas de oxigênio e microdespertares constantes. Isso impede que a pessoa atinja as fases profundas e reparadoras do sono. •

 

As consequências metabólicas são diretas: o corpo aumenta a produção de grelina (hormônio da fome) e diminui a de leptina (hormônio da saciedade), levando a uma compulsão por carboidratos e alimentos calóricos no dia seguinte. Além disso, o estresse fisiológico da falta de oxigênio eleva o cortisol, que favorece o acúmulo de gordura abdominal, e pode causar resistência à insulina. A fadiga crônica resultante também elimina a motivação e a energia para praticar exercícios físicos. Tratar a apneia é, portanto, um passo crucial para desbloquear o processo de emagrecimento.

 

 

 2.   Alterações Anatômicas:

 

Amígdalas ou adenóides hipertrofiadas, desvio de septo severo, úvula alongada ou mandíbula retraída (retrognatismo).   

 

  3.  Gênero e Idade:

 

É mais comum em homens e em mulheres após a menopausa, com a incidência aumentando com o avançar da idade. 4.Estilo de Vida: O consumo de álcool e o uso de sedativos relaxam a musculatura da faringe, facilitando o colapso.

 

 

 

Como é Feito o Diagnóstico da Apnéia do Sono ?

    

 

 

      O diagnóstico é fundamentado na avaliação clínica e confirmado por exames específicos. O processo geralmente envolve:

 

 

  1. Quais os sintomas da Apnéia do Sono?

 

O médico avalia sintomas como ronco alto, pausas respiratórias relatadas por acompanhantes, sonolência diurna excessiva, cefaleia matinal e irritabilidade.

 

 

  2. Exame Físico:

 

Avaliação da cavidade oral, nariz e pescoço para identificar obstruções físicas.

   3.  O que é a Polissonografia? (O Padrão-Ouro):

 

É o exame principal, realizado durante uma noite de sono em clínica ou em domicílio. Sensores monitoram a atividade cerebral, oxigenação, frequência cardíaca e, principalmente, o índice de apneias e hipopnéias (IAH) por hora de sono. Opções de     

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tratamento de Ronco e Apnéia do Sono 

 

 O tratamento é individualizado, dependendo da gravidade da síndrome e da anatomia do paciente:

 

 

• Medidas Comportamentais:

Perda de peso, prática de exercícios físicos, higiene do sono e evitar dormir em decúbito dorsal (de barriga para cima).

• CPAP (Continuous Positive Airway Pressure): 

 É o tratamento mais eficaz para casos moderados a graves. O aparelho fornece um fluxo de ar constante através de uma máscara, mantendo as vias aéreas abertas.

• Aparelhos Intraorais:

Dispositivos que posicionam a mandíbula levemente para frente, indicados para casos leves ou ronco primário.

• Procedimentos Cirúrgicos:

Indicados quando há obstruções anatômicas específicas (como a remoção de amígdalas) ou quando o paciente não se adapta aos tratamentos clínicos convencionais.

 

 

A SAOS não tratada está diretamente ligada ao aumento do risco de hipertensão, infarto do miocárdio, AVC e diabetes tipo 2. Portanto, a investigação especializada é fundamental. A polissonografia é considerada o "padrão-ouro" para a investigação dos distúrbios do sono. Trata-se de um exame não invasivo e indolor que monitora diversos parâmetros fisiológicos enquanto o paciente dorme, permitindo uma análise detalhada da arquitetura do sono e de possíveis eventos anormais.

O Exame de Polissonografia, como é feito?

 

 

 O objetivo principal da polissonografia é registrar a atividade bioelétrica do corpo durante o repouso. Geralmente, o exame é realizado em clínicas especializadas (laboratórios do sono) durante a noite, simulando o horário habitual de descanso do paciente.

1. Preparação e Colocação dos Sensores Ao chegar à clínica, o paciente é encaminhado a um quarto individual. Um técnico especializado realiza a colocação de diversos sensores de superfície (eletrodos e cintas) em pontos estratégicos do corpo.

Os principais parâmetros monitorados são:

• Eletroencefalograma (EEG): Sensores no couro cabeludo monitoram as ondas cerebrais para identificar as fases do sono (N1, N2, N3 e REM).

• Eletro-oculograma (EOG): Monitora o movimento dos olhos, essencial para identificar o sono REM.

• Eletromiograma (EMG): Posicionado no queixo e nas pernas para avaliar o tônus muscular e movimentos involuntários.

• Eletrocardiograma (ECG): Registra o ritmo e a frequência cardíaca durante a noite.

• Cânula Nasal e Termistor: Sensores colocados sob o nariz para medir o fluxo de ar (entrada e saída).

• Cintas Torácica e Abdominal: Medem o esforço respiratório e a movimentação do tórax.

• Oxímetro de Pulso: Um sensor no dedo  monitora constantemente o nível de oxigênio no sangue (SpO2 ). 

 

 

Durante a Noite Após a montagem dos sensores, o paciente é orientado a dormir normalmente. O ambiente é preparado para ser o mais confortável possível (climatizado e silencioso). Enquanto o paciente dorme, o técnico permanece em uma sala de monitoria adjacente, acompanhando os dados em tempo real através de computadores e, por vezes, de uma câmera com visão infravermelha para observar movimentações excessivas.

 

 

3. Polissonografia Domiciliar

 

Em casos específicos, quando há uma forte suspeita de Apneia Obstrutiva do Sono, pode ser realizada a Polissonografia Tipo III (ou domiciliar). Nesse formato, o paciente leva um equipamento simplificado para casa, que monitora principalmente os dados respiratórios e a oxigenação, proporcionando mais conforto por ser realizado no próprio leito.

 

Orientações para o Exame de Polissonografia

 

Para garantir a precisão dos resultados, algumas recomendações são fundamentais:

 

• Higiene: O paciente deve lavar o cabelo apenas com shampoo (sem condicionador ou cremes) para facilitar a aderência dos eletrodos.

• Substâncias: Evitar o consumo de cafeína, bebidas alcoólicas e o uso de substâncias estimulantes no dia do exame.

• Rotina: Manter as atividades diárias normais, evitando cochilos durante o dia para que o sono noturno ocorra de forma natural. Ao final do procedimento, os dados coletados são analisados por um médico especialista em Medicina do Sono, que emitirá o laudo com o diagnóstico e as recomendações terapêuticas. Como se pode observar, o paciente utiliza uma série de sensores que, embora pareçam complexos, são concebidos para permitir a mobilidade e o conforto durante o sono. O que vemos na imagem:

• Sensores Cranianos (EEG): Fixados no couro cabeludo para monitorizar a atividade cerebral.

• Cânula Nasal: Pequeno dispositivo sob o nariz para medir o fluxo de ar e detetar apneias ou hipopneias.

• Cintas Torácicas e Abdominais: Utilizadas para medir o esforço respiratório.

• Oxímetro de Pulso: Colocado no dedo para monitorizar a saturação de oxigénio no sangue. Todos estes fios convergem para uma caixa recetora (geralmente fixada ao peito ou colocada ao lado da cama), que envia os sinais em tempo real para o computador do técnico que realiza a monitorização.

 

 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O que é o  CPAP (sigla em inglês para Continuous Positive Airway Pressure ou Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas)?

Ë o tratamento de escolha e o mais eficaz para pacientes com apneia obstrutiva do sono de grau moderado a grave.

Diferente de um ventilador pulmonar, o CPAP não "respira" pelo paciente; ele atua como uma férula pneumática (um suporte de ar), mantendo a garganta aberta durante o sono.

 O dispositivo capta o ar do ambiente, filtra-o e o envia sob uma pressão pré-determinada através de um tubo flexível até uma máscara acoplada ao rosto do paciente.

Essa pressão de ar constante impede que os tecidos da orofaringe colapsem, evitando as pausas respiratórias e o ronco.

 

Quais os tipos de  CPAP ? Fixo vs. Automático (APAP)

 

• CPAP de Pressão Fixa: O aparelho entrega a mesma pressão durante toda a noite, definida previamente com base no exame de titulação de CPAP.

• CPAP Automático (APAP): Possui um algoritmo que detecta eventos respiratórios e ajusta a pressão conforme a necessidade (por exemplo, aumenta a pressão quando o paciente dorme de barriga para cima ou entra em sono REM). Benefícios Clínicos e Qualidade de Vida

O uso regular do CPAP traz benefícios que vão muito além de "parar de roncar":

• Cardiovasculares: Redução drástica do risco de hipertensão arterial, arritmias e insuficiência cardíaca.

• Metabólicos: Melhora no controle da glicemia e auxílio na perda de peso.

• Cognitivos: Restauração da arquitetura do sono, eliminando a sonolência diurna excessiva, melhorando a memória, o foco e o humor.

• Segurança: Redução significativa do risco de acidentes de trânsito causados por fadiga.

 

Tecnologia e Adesão Os aparelhos modernos são extremamente silenciosos e inteligentes. Muitos possuem conectividade via Wi-Fi ou Bluetooth, permitindo que o médico acompanhe remotamente dados como:

• Horas de uso por noite.

• Fuga de ar pela máscara.

• Índice de Apneia e Hipopneia residual (IAH). A adaptação inicial pode ser um desafio, mas com o ajuste correto da máscara e o uso de rampas de pressão (onde a pressão sobe gradualmente para o paciente pegar no sono), a maioria dos pacientes apresenta uma melhora dramática já na primeira semana de uso.

Adaptando-se ao CPAP com Sucesso

A adaptação ao CPAP é um processo gradual. O corpo e o cérebro precisam de tempo para se acostumar com a sensação da pressão de ar e com a presença da máscara.

Abaixo estão as estratégias mais eficazes para facilitar essa jornada:

1. A Escolha da Máscara Ideal A máscara é o componente mais importante para a adesão. Ela deve estar vedada o suficiente para não vazar ar nos olhos, mas não tão apertada que cause marcas ou feridas na pele.

• Tipos de Máscara: Existem modelos nasais, de almofadas nasais (dentro das narinas) e faciais (nariz e boca). O ajuste deve ser feito com o paciente deitado, pois o formato do rosto muda nessa posição.

2. Pratique Durante o Dia Não espere a hora de dormir para colocar a máscara pela primeira vez. • Dica: Use a máscara (mesmo com o aparelho desligado) por 20 a 30 minutos enquanto assiste TV ou lê um livro. Isso ajuda a dessensibilizar a sensação de "objeto estranho" no rosto.

• Próximo Passo: Ligue o aparelho enquanto estiver acordado para se habituar ao fluxo de ar. 3. Utilize a Função "Rampa" A maioria dos aparelhos modernos possui o recurso de Rampa. Ele permite que o aparelho comece com uma pressão bem baixa e confortável, aumentando gradualmente até atingir a pressão terapêutica ideal após o paciente já ter adormecido. 4. O Uso do Umidificador O ressecamento do nariz e da garganta é uma das maiores queixas iniciais. • Ajuste o umidificador para uma temperatura confortável. Isso evita o congestionamento nasal e a sensação de "ar seco", tornando a respiração muito mais natural e agradável.

5. Higiene e Manutenção Uma máscara limpa veda melhor e dura mais. • Diariamente: Lave a almofada da máscara com sabão neutro e água. • Semanalmente: Higienize a traqueia (tubo) e o reservatório de água do umidificador. • Filtros: Troque o filtro de ar do aparelho conforme a recomendação do fabricante para garantir a pureza do ar inspirado. Nota importante: É normal levar de 2 a 4 semanas para se sentir totalmente confortável. Se houver dificuldades persistentes, o ajuste da pressão ou a troca do modelo da máscara devem ser discutidos com o especialista.

 

 

​Quais os tipos de máscaras do CPAP?

1. Almofadas Nasais (Pillows)

Esta é a opção mais minimalista e leve do mercado. Em vez de cobrir o nariz, ela possui pequenos cones de silicone que se encaixam suavemente na entrada das narinas.

• Indicada para: Pacientes que sentem claustrofobia com máscaras maiores, pessoas que usam óculos para ler ou ver TV antes de dormir, ou homens com barba (que podem ter dificuldade de vedação com outros modelos).

• Vantagens: Campo de visão totalmente livre, menor contato com o rosto e ideal para quem se mexe muito durante o sono. • Limitações: Pode causar sensibilidade no interior das narinas se a pressão do CPAP for muito elevada ou se o ajuste estiver apertado demais.

2. Máscara Nasal

É o modelo mais utilizado mundialmente. Ela cobre todo o nariz, desde a ponte nasal até o lábio superior, criando uma câmara de ar ao redor das narinas.

• Indicada para: A grande maioria dos pacientes que respiram predominantemente pelo nariz. É o equilíbrio ideal entre conforto e estabilidade.

• Vantagens: Oferece uma vedação mais robusta do que as almofadas nasais, distribuindo a pressão do ar por uma área maior do nariz.

• Limitações: Não é eficaz para quem dorme de boca aberta, pois o ar fornecido pelo nariz acabaria "escapando" pela boca, anulando o efeito da pressão positiva.

3. Máscara Oronasal (Full-Face)

Este modelo cobre simultaneamente o nariz e a boca. É maior e possui um sistema de fixação com mais pontos de apoio. • Indicada para: "Respiradores bucais", pacientes com obstrução nasal crônica (como rinite severa ou desvios de septo importantes) ou aqueles que precisam de pressões muito altas de CPAP.

• Vantagens: Garante que a pressão chegue às vias aéreas mesmo se o paciente abrir a boca durante a noite. É a solução definitiva para evitar o ressecamento da garganta em quem abre a boca.

• Limitações: Por ter uma área de contato maior, há uma chance levemente superior de vazamentos próximos aos olhos e pode gerar uma sensação maior de confinamento em pacientes sensíveis. 


 

Exame de Polissonografia
CPAP seu grande aliado
Tipos de Máscars de CPAP

Este vídeo ilustrativo mostra o mecanismo pelo qual acontece a apneia do sono. No vídeo observamos que quando o indivíduo com apneia deita, há um estreitamento da região de palato mole impedindo a passagem do ar.

Consequentemente, a taxa de oxigênio no sangue cai gerando um estímulo a nível de sistema nervoso central, e o indivíduo apresenta um despertar, restabelecendo assim o mecanismo respiratório. Dependendo do grau desta apneia, que pode ser desde leve até severa as consequências podem ser bastante deletérias ao organismo.

Consultório de Otorrinolaringologia no Jardim Paulista, SP

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