DRA. VIVIANE KHOUZAMOTORRINOLARINGOLOGISTA

Ronco e apneia

Amígdalas e adenoide

Por Dra. Viviane V. Khouzam, Otorrinolaringologista · CRM-SP 87318 · RQE 61540 · 3 min de leitura

Amígdalas e adenoide, imagem 1
Amígdalas e adenoide, imagem 2
Amígdalas e adenoide, imagem 3

Amígdalas e Adenoide o que são? E onde se localizam?

As amígdalas e a adenoide são tecidos linfóides que fazem parte do nosso sistema de defesa primário,

localizados na porta de entrada das vias aéreas e digestivas.

Embora tenham um papel importante na imunidade, especialmente na infância, o seu crescimento excessivo (hipertrofia) ou infecções recorrentes podem trazer prejuízos significativos à saúde e ao desenvolvimento.

Amígdalas (Tonsilas Palatinas):

Estão situadas nas laterais da garganta (orofaringe). São facilmente visíveis quando abrimos a boca.

Adenoide (Tonsila Faríngea):

Conhecida popularmente como "carne esponjosa", localiza-se na parte posterior do nariz (rinofaringe), onde a cavidade nasal se encontra com a garganta. Diferente das amígdalas, ela só pode ser visualizada através de exames específicos, como a videonasofibroscopia.

Hipertrofia da adenóide  e  Síndrome do Respirador Bucal

Quando essas estruturas crescem além do normal, elas agem como uma barreira física à passagem do ar. Isso força o indivíduo (especialmente crianças) a respirar pela boca, levando a um quadro conhecido como Respirador Bucal, que pode causar:

Alterações no desenvolvimento da face e da arcada dentária.

Olheiras profundas e cansaço constante.

Dificuldade de concentração e baixo rendimento escolar.

Face Alongada: O crescimento facial tende a ser mais vertical.

Olhar Cansado: Presença de olheiras profundas e pálpebras descaídas.

Lábios Entreabertos: Incapacidade de manter o selamento labial em repouso, com o lábio superior frequentemente curto e o inferior mais volumoso ou evertido.

Narinas Estreitas: Devido à falta de uso do nariz para a passagem do ar (hipotrofia das asas nasais).

Alterações Dentárias: É comum observar o palato ogival (céu da boca estreito e fundo) e o desalinhamento dos dentes.

O "céu da boca" fica mais alto e estreito porque a língua não descansa no palato (o que ajudaria a expandi-lo), permanecendo no assoalho da boca para permitir a passagem do ar.

Mordida Cruzada ou Aberta: A falta de desenvolvimento lateral da maxila frequentemente leva a desajustes na mordida.

Apinhamento: Como a arcada (o "osso") não cresce o suficiente, os dentes não encontram espaço e acabam encavalados

Estas alterações não são apenas estéticas; elas refletem uma adaptação muscular e óssea a um padrão respiratório ineficiente que, se não for tratado precocemente, pode consolidar deformidades na arcada dentária e na postura corporal.

Sintomas: Ronco alto, pausas respiratórias, sono agitado, sudorese noturna e despertares frequentes.

Consequência: A fragmentação do sono impede a liberação adequada do hormônio do crescimento (GH) e pode causar irritabilidade ou hiperatividade durante o dia.

Hipertrofia de Amígdalas e Adenóide e Qualidade do Sono

Consequências na Qualidade do Sono Pacientes com essas alterações anatômicas: frequentemente apresentam um sono fragmentado e não reparador. A dificuldade respiratória mecânica impede que o corpo atinja os estágios mais profundos do sono (como o sono REM), gerando sintomas como:

Cansaço excessivo e sonolência diurna.

Dificuldade de concentração e irritabilidade.

Bruxismo (frequentemente associado a tentativas do corpo de desobstruir a via aérea durante o sono).

O tratamento multidisciplinar, unindo a otorrinolaringologia e a ortodontia, é essencial para remodelar essas estruturas e devolver ao paciente a capacidade de respirar pelo nariz, garantindo um sono de qualidade e um desenvolvimento facial harmônico.

Indicações para Cirurgia (Adenoamigdalectomia)

A remoção cirúrgica é indicada em casos específicos, baseados em critérios clínicos rigorosos:

1. Obstrução Grave: Quando o tamanho impede a respiração nasal adequada ou causa apneia comprovada, a criança apresenta roncos frequentes e pode apresentar pausas na respiração

( apnéia )

2. Infecções Recorrentes: Amigdalites bacterianas de repetição (geralmente mais de 5 a 7 episódios por ano).

3. Otites de Repetição: Quando a adenoide aumentada obstrui a Tuba Auditiva, causando acúmulo de secreção e infecções no ouvido.

4. Abscesso Periamigdalino: Uma complicação grave de infecção que pode justificar a cirurgia.

O objetivo é um só: garantir que seu filho durma bem e se desenvolva com saúde.

Se você nota esses sinais, uma avaliação detalhada é o passo mais importante.

Diagnóstico de Hipertrofia de Amígdalas e Adenóide

No consultório, além do exame físico da garganta, utilizamos a Videonasofibroscopia.

Este exame, realizado com uma fibra ótica flexível, permite medir com precisão a porcentagem de obstrução que a adenoide está causando na via aérea, orientando se o tratamento deve ser medicamentoso (sprays nasais e antialérgicos) ou cirúrgico.

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